quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Futebol, Sociabilidade e Psicologia de Massas: Ritos, Símbolos e Violência Nas Ruas De Goiânia



    Surgido oficialmente na primeira metade do século XIX, nas universidades publicas inglesas e, praticado pela juventude da crescente elite industrial britânica, o futebol ostenta o status de maior numero de manifestações esportivas praticadas em todo o mundo.
 Enquanto no Brasil, o futebol se consolidou durante as três primeiras décadas do século XX.  Sendo bastante popular no eixo São Paulo/Rio, sendo os primeiros ventos da seleção nacional. Com o seu desenvolvimento foi se desenvolvendo a participação singular e importante dos torcedores;  explicito que a sociabilidade acontecia nas arquibancadas, através das manifestações de apoio ao clube por meio das camisas, distintivos, bandeiras e pelas expressões de tristeza e alegria que caracterização a derrota ou vitória.
A parti do final dos anos setenta, muda o padrão de comportamento nas situações de derrota, fazendo manifestações cobrando do clube e do time um melhor empenho nessa situação. Nos anos 80 , o Brasil assisti as formas associativas de torcer, conhecidas nos dias de hoje como torcidas organizadas.
Importantes estudos para entender esses grupos já foram feitos, há pesquisas com abordagens antropológicas, como Toledo (1996), Teixeira (2006); outras destacam a análise do significado da entrada de jovens em torcidas organizadas
Existe nessas analisasse uma congruência geográfica o interesse por torcidas organizadas nas cidades Rio de Janeiro e São Paulo.  Devido a importância destas cidades para o desenvolvimento político-econômico e cultural do Brasil. Mas a heterogeneidade cultural dopais impõe outras unidades federativas, a necessidade de trazer â cena acadêmica fenômenos futebolísticos regionais, em clássicos como Atletiba (Atlético Paranaense e Curitiba), Bavi (Bahia e Vitoria), Grenal (Grêmio e Internacional),  e outros.
Segundo Pimenta (9997), a diferenciação entre os torcedores comuns e os torcedores organizados, se distinguem pelo processo burocrático que envolve as agremiações de torcedores organizados.
No Brasil não e possível dizer exatamente quando as torcidas organizadas surgiram, autores como Pimenta (1997) e Toledo (1996) apontam a Charanga Rubro-negra (1942) e a Torcida Uniformizada do São Paulo (1940) como as primeiras agremiações organizadas.
Mas nesse estágio (1940-1970), as torcidas apenas tinham objetivo de incentivar o clube, muniam apenas de uniformes, musicas e não existia ainda a forma burocratizadas das torcidas cariocas e paulistas nos anos 80
          Com o surgimento das torcidas organizadas o comportamento dos torcedores mudam substantivamente, segundo Toledo (1996) é preciso levar em consideração o contexto histórico do Brasil nos anos 80, período marcado de um estado militar e autoritário, o futebol nacionalizou-se e internalizou-se transformando em mania nacional.
Com o investimento do Estado, construindo 30 estádios com recursos do governo federal. Em 1970, foi criada a Loteria Federal e a criação do Campeonato Brasileiro de Futebol, fazendo com que a economia do futebol representa-se 10% da economia do pais.
Pimenta vai mais além, para ele o aparelho repressivo que deu impulso ao projeto de desenvolvimento econômico do regime militar, também trouxe bastantes alterações na vida politoca, social e cultural do Brasil. Causando desigualdades encomicas, aviltou condições de vida, institucionalizou a violência, desconstruindo o tecido social.
Comprometendo ao mesmo tempo as relações interpessoais, atomizou o indivíduo causando esvaziamento da construção de projetos coletivos, lançado-o em processos sociais pautados no vazio político, histórico e identitário. Pimenta ratifica a análise, dizendo que seriam as torcidas organizadas umas das formas que os indivíduos encontraram de reafirmação ante a destruição da identidade subjetiva e coletiva.
O estádio OBA, situado na região leste da cidade de Goiania no bairro conhecido como Setor Universitário é tomado pelas musicas executadas por som mecânico, predominando Funk e Hip-Hop.
Iniciada a escolta, a massa dos torcedores altera completamente a paisagem urbana, a  sensação e de choque, os integrantes de torcida são confinados a um retângulo nas extremidades por viaturas que ditam não só espaço como o ritmo da marcha que hora é acelerada pelas viaturas e pelos cavalos provocando correria  generalizada animada pela multidão com a seguinte parodia: “Correr correr, correr correr é o melhor para sobreviver”. Visível o forte clima de hostilidade, recíproca entre os torcedores e a PM.
Os comportamentos dos torcedores , é explicito a similaridade das festas de caráter popular onde os conteúdos predominantes são: “gritos, músicas, movimentos violentos, danças, procura de excitantes que elevem o nível vital, etc. Enfatiza-se frequentemente que as festas populares conduzem ao excesso, fazem perder de vista o limite que separa o lícito do ilícito” (DURKHEIM, apud TOLEDO, 1996, p. 40).
           Por meio dos apontamentos teóricos do assunto, concluímos que o ritual em dias de jogos se utiliza de um padrão estético de simbologia, demonstrando muito mais convergências do que divergências em relação à manifestações de estados diferentes. O fenômeno sofre fatores externos e internos, estabelecendo relações estreitas com o contexto sociocultural e econômico da cidade de Goiania , com muitos fatores em padrão de sociabilidade no sentido universal que seja igual à de torcidas de outros centros urbanos do Brasil.

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