É
interessante a evolução que o futebol teve ao longo do tempo. Após se
profissionalizar, o futebol perdeu um pouco da sua essência, que possuía nos tempos de amadorismo. Ademais, sendo um simples jogo no seu início,
tem em sim mesmo uma finalidade artística, ou seja, sua performance é o seu
próprio fim. Como disso o filósofo Bernard Suits, jogar um por vontade própria
é uma ‘’ tentativa voluntária de superar obstáculos desnecessários’’. Talvez o
homem opte por jogá-lo devido às emoções e sentimentos tão diversos e tão
intensos que são despertados dentro de cada um. E o futebol, diferente de outros esportes, é o que possui uma
linguagem mais universal e mais livre. São jogadores com funções diferentes dentro de campo vestindo camisas diferente,
jogando uma partida que poderá sempre ser mudada no último minuto,
protagonizando um momento eterno que ficará na memória de milhões de pessoas
por longas décadas.
A
evolução deste jogo ao patamar do esporte profissional, é possível dizer que
essa profissionalização tirou um elemento lúdico do futebol, que sendo um jogo,
era praticado com o próprio espírito de jogo, como diria o filósofo holandês
Johan Huizinga. Este espírito do jogo seria o verdadeiro princípio criador da
humanidade, na análise de Edsion Luis Gastaldo. Assim, o espírito do jogo não
estaria só presente nos jogos, mais sim, em todos os fatores de suma
importância de toda e qualquer sociedade ao longo da história.
O
envolvimento da televisão, do marketing,
das federações privadas e do próprio mercado influencia o modo como se é
administrado e jogado o futebol atualmente. A contradição entre seriedade e
brincadeira se encaixa com o paradoxo entre jogar pelo resultado e jogar
bonito. À primeira vista, trata-se de
perguntas bem definidas onde cada um tomará partido por preferência
própria. Mas o futebol, em sua essência, é um jogo. E por ser um jogo, possui finalidade
em sua própria performance, sem querer ser repetitivo.
A
seriedade ou a brincadeira não fazem uma equipe campeã. Mas entre um e entre
outro, devemos sempre escolher a
brincadeira, pois o futebol é um jogo que tem seu fim em si mesmo. Um jogo que
se tornou uma profissão, e não o contrário. Pensando bem, até se fosse o
contrário, uma profissão que se enxerga como muito séria poderá matar a arte
que é inerente à toda criação humana. A que se leva pouco a sério poderá matar
a responsabilidade. Ambos importantes ao se viver em sociedade.
O
futebol tornou-se um negócio gigantesco e , hoje, jogadores que surgem bem
novos já possuem a responsabilidade de sustentar uma família ou conseguir um
salário para se alimentar. É hora, portanto, de enxergar no futebol o seu poder
transformador em uma sociedade cada vez
mais globalizada. Se há um ponto positivo desta transformação do futebol ao
longo da história é o de que, sendo institucionalizado o esporte torna-se uma
alternativa sensata de realização
humana.
Nenhum comentário:
Postar um comentário